Armadilha de Arco-Íris e o futuro da computação

7 03 2010

Em 2007 dois pesquisadores britânicos teorizaram um dispositivo que eles chamaram de  “alçapão de arco-íris”, sendo um dispositivo composto por uma lenteque seria responsável pela reflexão, dispersão e refração de um feixe de luz para o interior do artefato que teria uma  placa com várias camadas de espelhos de metamateriais que poderia capturar o feixe de luz, não permitindo sua dispersão:

Stopping light in metamaterials: the trapped rainbow

Na época vários grupos ao redor do mundo, acreditando na teoria trabalharam alucinadamente tentando criar um protótipo funcional deste dispositivo e no final de 2009 um grupo de pesquisadores americanos conseguiu obter sucesso e com um aparato muito simples provaram o conceito da “armadilha de arco-íris”, demonstrando que os físicos britânicos estavam certos:

Rainbow trapped for the first time

Quando comentei este feito com um colega pela primeira vez, logo que via a notícia na semana que ela foi publicada na New Scientist, ele fez aquele clássico comentário: este pessoal não tem nada mais importante para fazer?

Bem, esta técnica poderá ser útil para armazenar informações de forma puramente ótica, algo que irá revolucionar a computação (e talvez a vida) no futuro, eliminando a necessidade de conversões de sinais óticos em eletrônicos, facilitando o processo de  manipulação de fótons e proporcionando a criação de  meios de armazenamento de informações revolucionário. E considerando que em 2009 também surgiu o primeiro processador quântico fotônico autêntico podemos elucubrar que parte do futuro da computação está na fotônica e esta nova descoberta é certamento um grande marco.

Quer algo mais útil do que isto? 🙂

Ruminando e divagando sobre este assunto com um amigo este final de semana, ele lembrou do filme Minority Report e de um cartão  de armazenamento que parecia que as imagens estavam armazenadas de modo fotônico, visto que elas podiam ser parcialmente vistas sem mesmo estar no seu respectivo driver de leitura.

Com a evolução das pesquisas do grafeno, dos metamateriais e outros daqui a alguns anos silício será coisa do passado, se bobear armazenamento magnético também e por consequencias do entrelaçamento quântico a velocidade da luz irá parecer velocidade tartarugal, imaginou como será a computação e o futuro das telecomunicações?

No final de 2008, escrevi um post onde eu brincava que em 2050 “telepatia sintética” seria coisa do passado, bom, o DARPA tem financiado pesquisas nesta área e isto da tem a ver com ESP, visto que a tecnologia é puramente baseada em neurociência e telecomunicações, sendo-se que o artefato que possibilitará tal feito é puramente um dispositivo de neuroengenharia, área que tende a evoluir muito no futuro e aposto que vários dos “neuroengenheiros” serão nascerão a partir do fascínio pelos brinquedos Mindflex e o Star Wars Force Trainer.

Mas o quê a armadilha de arco-íris e a q-telepatia tem em comum? A resposta é: computação quântica. A neuroengenharia continuará presente, porém o processador quântico será peça fundamental.

E breve, os neurohackers já não serão mais atores da ficção cyberpunk e sim do novo contexto neurotecnológico do balaio de gato que será o admirável mundo novo da computação, fico imaginando a segunda (ou será terceira?) geração que será os q-neurohackers.

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Debriefing do Seminário C & C++ para Sistemas Embarcados 2009

16 11 2009

Neste 14/11/2009, o portal Embarcados e o grupo C & C++ Brasil com a produção da Tempo Real Eventos realizou, no Hotel Century Paulista em São Paulo, a edição 2009 do Seminário C & C++ para Sistemas Embarcados. Mais uma vez esta foi uma experiência extremamente gratificante,  principalmente pela satisfação que alguns colegas, amigos e o público em geral demonstraram durante o desenvolvimento do seminário e pós sua realização.

O DQ, da Tamid, realizou em seu blog algumas notas e abaixo segue alguns comentário que não representa nem 1% do que foi o seminário:

– O evento iniciou com uma palestra sobre Interfaces de Periféricos com Microcontroladores em C do DQ, que mostrou-se um excelente conteúdo para um Hands On com o subtítulo de “21 formas de piscar um led com linguagem C em vários microcontroladores”! 😛

– Na sequência foi a palestra do Luiz Barros, sobre Otimização de C++ para Sistemas Embarcados, que foi bem interessante e acabei em vários momentos dando meus pitacos, curiosamente mais uma vez confirmei que em aplicações com a plataforma SH4, C++ tem sido amplamente utilizado, durante o evento desenvolvedores de cinco empresas deram este feedback para mim.

– Durante o almoço, entre bits e bytes, conversamos de flamewares (e lembrei da lei do ricbit), assembly vs C++, surgiu a conversa de um projeto que me relataram muito inusitado de um sistema, onde… bom, deixa eu voltar para os relatos do seminário! :^p

– Após o almoço, o Alessandro Cunha, da TechTrainning, apresentou uma palestra que foi muito pontual tanto no assunto quanto no tempo consumido. Nos primeiros contatos com ele, fiz uma sugestão besta de tema e ele conseguiu extrair algo de bom da besteira que apresentei e formatou uma obra prima: Projetando Sistemas Embarcados com Baixo Consumo de Energia, com dicas preciosas que cativaram o público.

E encerrando o conteúdo técnico do seminário,  o Luiz Barros desmistificou o “Desenvolvimento de Device Driver para GNU/Linux”, derepente surgiram algumas pessoas no evento e quando fui conferir descobri que elas vieram apenas para ver esta palestra, alguns até começaram a dizer que perderam o medo do device drivers development. Particularmente nunca tive medo, porém device driver & kernel development é uma arte negra…

Anteriormente ajudei a enumerar 17 formas de acender um led e derepente, não mais que derepente, fez-se a teatralização da piada:

– “quantos engenheiros são necessários para acender um led”

do qual eu participei desta teatralização como coadjuvante, no qual entrei mudo e sai calado e depois me disseram que a resposta seria:

–  “um de hardware, um de firmware e um de software” (tsc)…

Mas o Alessandro Cunha foi além e pensou em escrever o livro 2001 formas de acender um led, mas nem só de led foi o seminário! Houve CAN, RS232, SPI, microcontroladores, C, C++ e felizmente tive a oportunidade rever alguns amigos e realizar alguns contatos preciosos. Particularmente fiquei feliz que uma sugestão que eu dei a Microgênios foi levada a sério e hoje eles também estão produzindo e comercializando a plataforma Arduino no Brasil, assim como troquei figurinhas  sobre os bugs da BeagleBoard com o Luis Barros, conheci um pouco mais sobre a plataforma Tower com vários colegas, vi uma apresentação de uns alunos do Dado, numa EVDK Luminary,  de uns jogos desenvolvidos em eLua que poderiam seduzir muitos aficcionados em jogos; entre muitas outras conversas.

Finalizando oficialmente evento, realizamos um sorte de brindes oferecidos por Texas Instruments, Freescale, Atmel/Kobama, Editora Erica, Tempo Real Eventos, Agit Informática e Microgênios, onde as fotos dos ganhadores podem ser vistas aqui.

Mais uma vez, fui um dos primeiros a chegar no local e um dos últimos a sair do happy hour, que aliás, como sempre, foi uma extensão do evento e o início da organização dos próximos eventos.

Namastê!!!





eLua: Embedded Systems no mundo de Lua

6 12 2008

    Em 1996 eu fiquei extremamente feliz quando recebi minha edição da Dr.Dobbs e vi um artigo escrito por brasileiros chamado “Lua: an extensible embedded language”, confesso que fiquei tão surpreso que acabei comentando com vários colegas sobre o artigo e sobre esta linguagem que eu já tinha ouvido falar mas não conhecia ainda e acabei ficando com o estigma de ser o “cara do Lua” por alguns meses. Oito anos depois, ao encontrar um colega de faculdade ele veio me perguntar se eu “ainda” programava em Lua.

    Após 11 anos, tive outra boa surpresa quando conheci o projeto eLua, que é mantido pelo romeno Bogdan Marinescu em conjunto com o brasileiro Dado Sutter  do laboratório LED da PUC-Rio, que basicamente é um projeto que insere Lua no contexto de programação de microcontroladores, oferecendo melhor reusabilidade de código e redução de complexidade e custo de desenvolvimento. 

    Hoje ele tem suporte para as plataformas LM3S, AT91SAM, STR9, STR7, LPC2888, i386 e segundo o Dado Sutter logo o eLua estará suportando novas MCUs, assim como mais exemplos tem sido escritos com boa frequencia e novos módulos estão em desenvolvimento.  Eu o testei no meu AT91SAM7x256 e  fiquei muito entusiasmado com o projeto.   

    Para quem ficou interessado em saber um pouco mais sobre o e-Lua,  o projeto está com um novo site – baseado no Sputnik  que é um Wiki engine 100% escrito em Lua –  e a URL oficial do projeto é   www.eluaproject.net





Opniões de um geek visceral

26 11 2006

E por falar em Silvio Meira, seu point na blogosfera “dia a dia, bit a bit – informaticidade, mas hora, menos hora” é parada obrigatória. Em IHMO é sempre construtivo ler e ouvir o que este paraibano – hoje cientista-chefe do C.E.S.A.R – tem a dizer sobre os mais variados assuntos. Suas viagens geeks propagam inteligência e quase sempre agrega conhecimento e inspiram reflexão para aqueles que conseguem pegar sua onda; mesmo quando ele não é totalmente preciso, pois te remete a imaginar porquê este cidadão hiper informado e inteligente – e ex-presidente da SBC – faz certas afirmações. Como por exemplo no podcast idgNow! – que o entrevista – ele afirma que gostaria de ter criado o site “netvibes” por sua inovação, porém conhecendo o agregador de página inicial personalizada do Google – que é mais velho que o NetVibes – você começa a se perguntar porquê ele considerou este site tão inovador? Afinal, ele é mais do mesmo com uma designer mais interessante. Então, o que há de inovador? De qualquer forma, apesar de não deixar de utilizar o Google IG, o site é muito bacana e sou mais o Netvibes; nisto eu concordo com o Meira, o site é muito interessante.

Também neste podcast, ele também afirma que dentro do contexto onde o “universo é uma máquina computacional”, a profissão do futuro é a de programador pois estes caras serão criadores de mundos virtuais, porém não programador que sabe escrever 10 linhas de código, mas “Programador” no sentido mais amplo que entende de arquitetura e dos fundamentos da computação, entende de lógica, de algorítmo computacional; que passa a ser um profissional mais valioso numa sociedade que está cada vez mais tecnológica. Por estas e outras, vale a pena ouvir este podcast.

Recentemente em seu blog ele lançou o post “vivendo em tempo integral” onde ele comenta um artigo que saiu na New Scientist
que trata as drogas modafinil – que virou onda entre os geeks e workaholics pois deixa uma pessoa sem dormir até 3 dias, aumenta a capacidade de raciocínio, dá energia sem causar dependência (tsc) e a droga cx717 que está prestes a ser lançada e promete também virar onda. O assunto não é novo, em 1998 a revista Mondo2000 já abordava a droga modafinil, a droga do powergeek com o relato de alguns nerds “besta-testers” da droga; que a princípio foi desenvolvida para ajudar os portadores de narcolepsia; distúrbio caracterizado por sonolência súbita e incontrolável. Confesso, que sou muito mais o artigo da Scientific American Brasil A busca da pílula da inteligência de outubro/2003 do que este recente da New Scientist com esta abordagem sobre os efeitos sociais desta droga, porém… quer um assunto mais Geek do que este? Por este e outras, recomendo o blog do Meira.