EB – Teoria da PSI FQ

11 07 2011

Publicado originalmente na coluna “Ensaios de Borda” em 01/07/09 do Fringe Lab, este é um texto que escrevi dentro da proposta da coluna que tem um mix de análise de ficção científica dentro de um contexto histórico de neurociência e neroengenharia:

Hoje sabemos que as suspeitas de David Jones se confirmaram, mesmo ainda estando indefinido o autor da manifestação telecinética que apagou as 47 lâmpadas no teste de Belly em Ability, em The Road Not Taken a agente Olívia Dunham apresentou uma promnésia intensa e um pouco antes em Bad Dreams descobriu-se uma ligação telepática crônica com Nick Lane, aparentemente fruto de estimulação por cortexiphan quando eles eram crianças e passaram por experiências na base militar em Jacksonville, portanto ela é especial ou como eu costumo chamar, ela é uma pessoa (de psyche) amplificada. Porém o que possibilita a Olivia ter estas manifestações paranormais?

Seja uma forma de PES (percepção extra-sensorial) ou anomalia cognitiva, na vida real alguns eventos que ocorrem desde a antiguidade que classificamos como coincidência – como o de pensarmos em alguém segundos ou minutos antes dela entrar em contato por telefone ou ter algum sentimento de dor e lembrar de alguém no exato momento que esta passa por algum problema sério ou está morrendo  são classificados como DNS (Distant Neural Signaling ou Sinalização Neural Remota) pela neurociência,como o Dr.Walter Bishop o chamaria, sendo também classificada como telepatia espontânea pela parapsicologia e certamente seria assim que Peter Bishop o chamaria.

Estes fenômenos já foram e ainda são seriamente estudados, e estimulado justamente por uma experiência pessoal profunda desta natureza – onde sua irmã (no qual ele tinha forte ligação) teve intensos pressentimentos sobre ele num momento em que este quase foi esmagado por cavalos e escapou por sorte – Hans Berger (1873 -1941) tornou-se médico psiquiatra, cientista, professor pesquisador e tentou desvendar a força da “energia psíquica do cérebro” (como ele chamava) para tentar entender como este fenômeno ocorre.

Dr.Berger morreu sem explicar a telepatia, o que ninguém ainda de fato conseguiu, porém descobriu algo que o tornou fundador da neurofisiologia clínica e lançou as pedras fundamentais da neurociência e da neuroengenharia, quando em 1929 anunciou ao mundo científico que era possível analisar as correntes elétricas geradas no cérebro humano, onde suas variações ele denominou de ondas cerebrais, sendo possível registrá-las em papel. Dr.Berger identificou os ritmos dos estados cerebrais e que havia duas frequências dominantes que ele batizou de alfa (8 a 10 ciclos por segundo ou Hertz) e beta (de 12 a 20 ciclos por segundo ou Hertz) também descobriu que esta atividade mudava de características de acordo com o estado funcional do cérebro dando pistas de como diagnosticar certas doenças. Ele denominou esta forma de registro de EEG (eletroencefalograma) e os estados cerebrais foi batizado por seus colegas de “ritmos de Berger“. Porém Dr.Berger não foi levado a sério durante anos, mas ele não deixou-se abalar (talvez por sua própria personalidade instrospectiva) e continuou suas pesquisas, sendo-se que suas evoluções neste campo revelou os mecanismos básicos utilizados até hoje em dispositivos de imagens médicas, como o PET (positron emission tomography) e a fMRI (functional magnetic resonance imaging).

O EEG, além de ser largamente empregado por Dr.Bishop em procedimentos sensoriais em Fringe, na vida real tem sido utilizado para realizar diagnósticos médicos desde 1928, é base dos NDI (Direct Neural Interface) ou BCI (brain-computer interface) cada vez mais em conjunto com técnicas de fMRI, sendo utilizados em pesquisas neurocientíficas, controle de próteses cibernéticas e até em brinquedos como o BrainballMindFlex Mind Control GameStar Wars Force Trainer entre outras aplicações. E tudo começou com uma séria pesquisa tentando entender a telepatia, que fracassou assim como quase todas pesquisas neste sentido até hoje, mas que deixou um importante legado para a ciência.

Na MQ (Mecânica Quântica), há um fenômeno, teorizado matematicamente em 1935, chamado entrelaçamento (ou emaranhamento) quântico onde por ele duas ou mais partículas podem estar tão fortemente ligadas (praticamente sincronizadas) de forma que uma não pode ser corretamente “observada” sem que sua contra-parte seja mencionada, independente da distância física entre elas, onde se você manipula uma a outra também sofre a reação de seu par; que pode estar em qualquer parte do multiverso. E o mais interessante é que este fenômeno já foi provado e reproduzido mais de uma vez, sendo a base de trabalhos como o teletransporte quânticocomputação quânticacriptografia quântica, além de se especular que ela é a base da explicação de diversos outros fenômenos, estando numa área da física chamada de “complicação” e ninguém tem uma idéia exata do porque isto ocorre.

Em 2005, Johann Summhammer, físico da Universidade de Tecnologia de Viena, propôs que o entrelaçamento é encontrável em qualquer parte da Natureza, sendo-se que é concebível que a evolução tenha aproveitado esses fenômenos para vantagem própria, onde ela poderia estar presente entre células de um mesmo órgao, corpo ou em seres diferentes com forte ligação, como no cosmos e em toda parte do universo.

Em pilot, no laboratório do Dr.Bishop no procedimento de compartilhamento de memória entre Olívia e Scott, quando Walter aguardava que nos registros de EEGs as ondas cerebrais deles ficassem similares? Então, tem sido documentado desde 1965, que pessoas com fortes ligaçõesquando estão na mesma frequência de ondas cerebrais podem ter ligações mentais, sendo-se que o primeiro registro desta experiência foi em 1965 tendo sido publicada na revista Science, também publicado em 1967 no Experimental Brain Research Journal, sendo-se que esta experiência foi documentada por dezenas de vezes nos últimos 40 anos sendo normalmente chamada de Distant Neural Signaling, onde as melhores observações tem sido realizadas nos últimos 7 anos utilizando o fMRI (comentado acima). Neste estado, de sintonia ou sincronização, já foi documentado compartilhamento de percepções captadas pelos cinco sentidos, memórias e sentimentos.

Seguindo esta linha, aposto minhas fichas numa teoria defendida por Dr.Dean Radin, um dos mais sérios e premiados cientistas envolvidos com pesquisas sobre fenômenos psíquicos da atualidade, ex-presidente da Parapsychological Association, ex-pesquisador do SRI, Bell Labs e hoje um dos principais cientistas do Institute of Noetic Sciences. E como ele mesmo gosta de afirmar, “estas teorias não são defendidas por exotéricos de olhos arregalados, mas sim por físicos tradicionais”.

Em seu livro lançado em 2006, Mentes Interligadaso Dr.Dean Radin defende que algumas capacidades extra-sensoriais (dentre elas a telepatia) podem ser explicadas com o entrelaçamento quântico, ou bio-entrelaçamento, pois apesar da esmagadora maioria dos físicos acreditarem que a FQ aplica-se apenas a fenômenos que ocorrem com partículas sub-atômicas tais como moléculas, átomos, elétrons, prótons entre outras partículas, pois alguns dos fenômenos teorizados matematicamente foram provados apenas neste contexto, Radin faz parte do grupo de Summhammer, que acredita que o entrelaçamento pode ocorrer em escalas macroscópicas e cosmológicas. O ramo que acredita que o entrelaçamento quântico aplica-se a PSI e que a consciência é um fenômeno quântico “também” é chamada de Física Quântica Psi, eu prefiro chamar de PSI FQ. Não acredito que o mecanicismo é uma panacéia que explica-tudo, porém neste caso penso que esta nebulosa pode esclarecer alguns fenômenos. Vale lembrar que na década de 40 Einstein refutou que o entrelaçemento pudesse ocorrer na biologia, porém ele não dispunha de algumas evidências que indicam existir um fenômeno extremamente parecido com seres humanos..

Em 1955 o físico americano John Archibald Wheeller (1911-2008), que cunhou o termo buraco negro, escreveu um artigo a respeito de Cosmologia Quântica sobre geometriadinâmica, mostrando que as pontes de EP (Einstein-Rosen) podem ligar não somente Universos Paralelos, mas regiões do mesmo Universo, formando um túnel no espaço-tempo.

Um dos trabalhos referenciais mais sérios já escritos até hoje sobre teletransporte foi desenvolvido por um grupo internacional de física quântica da IBM, o grupo dos seis, onde em 1993 eles teorizaram o teletransporte quântico num artigo onde um dos pilares dele é o entrelaçamento quântico, também princípio da comunicação quântica que oferece velocidade instantânea, portanto mais rápido que a velocidade da luz.

Por estas e outras razões que comento há algum tempo que tenho fortes suspeitas que a FQ (e a PSI FQ) está sendo empregada em Fringe na fundamentação de certos fenômenos e habilidades, quase todas baseadas em teorias apresentadas matematicamente sendo algumas provadas e reproduzidas no campo microscópico, sendo algumas delas:

Interpretação de Muitos Mundos

Wormholes

     ou

Pontes de Einstein-Rosen

Entrelaçamento Quântico

Teletransporte Quântico

Imortalidade Quântica

Estando em sintonia com a linha da esmagadora maioria das explicações bishopianas.

Sem querer parecer um Emmanuel Grayson, diante destes fundamentos que apresentei, vou especular intensamente sobre o universo ficcional de Fringe: considero uma forte evidência a consciência de Walter, que pode ser observada em Ability, sobre os efeitos colaterais sofridos por Jones, melhor constatadas em There´s More Than One of Everything por ter utilizado a máquina de teletransporte do Dr.Bishop. Tendo Walter pleno conhecimento das adversidades que os usuários da máquina poderiam sofrer, consequências estas que a física já previu, e estando explícito que o Dr.Bell, Olívia e provavelmente Peter Bishop e o Dr.Walter Bishop tiveram fortes experiências com outros universos, como eles estão gozando da integridade física que Jones não desfrutou?

– Perceberam que todas as experiências já registradas na vida real quando há mentes entrelaçadas Olívia já experimentou em Fringe, sendo iniciada por estimulação artificial e depois se reproduzindo naturalmente seja com John Scott ou com Nick Lane?

Glyph Code de The Road Not Taken é “VISION”, seria uma referência as visões remotas dos universos paralelos de Olívia ou seria uma referência as fatos que dão uma nova visão?

Notaram que todas situações onde Olívia teve algum contato com um universo paralelo, esta experiência estava mostrando-se “estranha” apenas para Olívia?

Acredito que aqui temos uma grande pista!

A impressão deixada é que nestas experiências a Olívia do universo referencial por alguns momentos tomou controle ou se comunicou com seu par de outros universos, num processo de OOBE (out-of-body experience) também chamada projeção da consciência ou EFC (experiência fora-do-corpo), mas independente do nome, por este mecanismo apenas sua consciência foi teletransportada, como numteletransporte quântico tradicional onde é trafegado apenas a informação ou neste caso parte de sua consciência!

Considerando que o elo de entrelaçamento quântico também pode existir com mais de duas partículas, se outras pessoas do universo referencial estão mortas mas vivas no universo paralelo, seja por referência ao gato de Schrödigner questionado pelo paradoxo de EPRB ou numa referência a imortalidade quântica, Olivia poderia estar com sua mente bio-entrelaçada com suas paralelas mas também a John Scott do universo paralelo que tinha entrelaçamento com o John Scott do universo referencial. Em tese faz sentido! Desta forma, duas ou mais Olívias se encontraram com Bell através da Olívia receptora daquele universo se ela compartilhava consciência com as Olívias de outros universos esta seria uma consciência multi-universal com isolamentos por plano!

Sendo verdade, a cada flash azul no elevador pré-encontro (que naquele caso poderia ser um mecanismo de indução optogenético para sincronização e estimulação para a interconexão ou o bio-entrelaçamento ocorrer) com Dr.Bell, estava sendo mostrada uma das Olívias, que se reunira numa única Olívia receptora (sendo a interface de relacionamento de todas) no momento do encontro para este evento, a que estava no universo onde o Dr.Bell se encontrava, talvez o tempo que ela esperou foi o necessário para que todas estivessem pré-sincronizadas para este advento. Esta seria uma teoria estranha mas em (quase) harmonia com a FQ! Seria um dos efeitos do cortexiphan, ampliação e integração da consciência paralela nos multiversos?

Talvez, aqui pode estar uma pista para uma das explicações mais complexas para a grande trama, estranha como o mecaniciscmo quântico e que parece unir algumas pontas.

Imagino que esta é uma linha muito interessante, obviamente muitos físicos não acreditam nem em metade disto, mas estando bem explorada em Fringe por enquanto acredito estar de bom tamanho!


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2 responses

11 07 2011
Wanderley Caloni

Talvez exista um bom motivo para a maioria não acreditar nessas teorias, e eu imagino que seja o tal no “não-observável”. Uma vez que seja possível a estruturas maiores que meras partículas realizar o tal do “pareamento” quântico, qual seria a explicação para não existir a detecção desse fenômeno em nosso universo?

Ainda dentro do observável, é muito difícil dar crédito a eventos que envolvam apenas estruturas biológicas dotadas de um alto grau de subjetividade como seres humanos. Dessa forma, quando um ser humano diz que passou por uma experiência telepática, é difícil de acreditar, principalmente por não vermos outros tipos de sistemas interagindo dessa forma, em qualquer escala que não a de partículas.

Uma vez que consigamos futuramente observar esse fenômeno oriundo de outros tipos de matéria, mais complexa que uma partícula, e menos subjetiva que um ser humano, daí, então, estaria iniciado esse ramo da física tão controverso.

[]s

12 07 2011
techberto

O mais curioso é que já conseguiram provar via correlacionamento de EEG e de fMRI um fenômeno chamado de DNS (Distant Neural Signaling ou Sinalização Neural Remota) que nada mais é do que a telepatia involuntária, porém não conseguiram identificar (pelos instrumentos disponíveis em 2003 e 2004) qual é o fenômeno biofísico existente neste processo, mas ela efetivamente existe – sendo-se que esta especulação é que trata-se de “Física Quântica” porém também pode ser qualquer outro fenômeno de interligação ainda não conhecido.

[]s

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